segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O homem que sumiu

Pode ser um dom saber fazer muitas coisas. Mas é uma maldição não ser o melhor em nada.
Ele era o cara do mais ou menos.
Era mais ou menos bonito. Isso quer dizer que também era mais ou menos feio.
Não era burro, mas também não serviria para gênio.
Era um tanto astuto, mas um tanto disperso.
Tinha muitas qualidades. Lado a lado com muitos defeitos.
Chegou nas finais, mas nunca as ganhou.
Não era um fracasso, mas não era um sucesso.
Ele era o cara do mais ou menos.
Afinal, ele sabia fazer muitas coisas.
E isso o deixava mais ou menos feliz.
E mais ou menos triste.
Então um dia ninguém mais o viu.
Deixou na mesa um sanduíche pela metade e um copo de café quase cheio. O apartamento estava intocado, como se ele ainda estivesse ali.
Não levou roupas, documentos, fotos, nada.
Apenas desapareceu.
Sem rastros.
Sem pistas.
E quem o conhece, sabe que ele não entrará em contato.
Porque sumir foi a única coisa que ele fez com perfeição.
E entrar em contato seria estragar uma obra-prima.

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